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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

SÍNDROME DO IMPACTO?

Aquela dorzinha no ombro está incomodando?

Estudos mostram que a Síndrome do Impacto do Ombro tem se tornado cada vez mais comum em pacientes com dores no ombro.

Essa patologia é geralmente a condição dolorosa em que os tecidos moles do espaço subacromial (bursa, tendões da bainha rotatória, tendão do bíceps) são cronicamente induzidos entre a cabeça do úmero e o arco coracoacromial (acrômio anterior, ligamento coracoacromial, articulação acromioclavicular) (Rossi, 1998). Nesse espaço, um número de partes moles está localizado entre duas estruturas rígidas que se movem. Qualquer condição que afete a relação fisiológica entre essas estruturas e o espaço subacromial pode levar ao impacto.



Vamos entender isso?

A área atingida por essa inflamação é chamada de manguito rotador, formada por quatro músculos – o supraespinhoso, o infraespinhoso, o subescapular e o redondo menor. Estes músculos cobrem a cabeça do úmero, trabalhando em conjunto para elevar e girar o braço.

Quando se movimenta repetidamente o ombro em graus de maior tensão muscular do grupo do manguito rotador (importante estabilizador) e de menor espaço subacromial (90 a 120°), pode ocorrer a síndrome do impacto. Neste caso o manguito rotador é muito exigido, e tendo ainda um agravante, essa área sofre de hipovascularização perto da inserção do tendão do supraespinhoso e infraespinhoso, segundo alguns estudos. Então, além de ser uma área predisposta a inflamação, ainda é pouco vascularizada.



A síndrome do impacto pode resultar de compressões extrínsecas ou de perda de competência da bainha rotatória. (Fongemie et al, 1998).



O que pode causar a Síndrome do Impacto?

·               Arco de elevação do ombro que segundo Brotzman (1996), é anterior e não leteral, causando impacto das estruturas supra-umerais contra a superfície anterior do acrômio.

·               Uso dos membros superiores em demasia, como movimentos repetitivos acima da cabeça;

·               Erro na técnica que pode levar a um distúrbio das forças de equilíbrio do ombro, excedendo o nível de tolerância das partes moles, causando inflamação;

·               Váriantes anatômicas, traumas, instabilidade articular do ombro, fraqueza da musculatura da bainha rotatória.



Alguns fatores estruturais que podem contribuir para a Síndrome do Impacto

·               Escápula – Posição anormal devido a cifose torácica; movimento anormal do trapézio; paralisia ou mobilidade limitada do serrátil anterior

·               Articulação acromioclavicular – Anormalidade congênita; formação degenerativa do esporão.

·               Processo coracóide – Anomalia congênita e forma anormal após cirurgia ou trauma.

·               Úmero – Aumento da proeminência por tuberosidade maior devido a anomalia congênita ou má união

·               Acrômio – Acrômio não fundido; degeneração na superfície com esporão, má união em uma fratura, variante morfológica.

·               Ligamentos – Frouxidão ligamentar, calcificação do ligamento coracoacromial secundário a um trauma.

·               Manguito Rotador – Perda do mecanismo depressor da cabeça do úmero ocasionado por radiculopatia em C5 e C6, paralisia do nervo subescapular, ou supra-escapular ou axial, e por ruptura da cabeça longa do bíceps. Espessamento do tendão por deposição de cálcio; tendão espessado após cirurgia ou trauma; superfície superior irregular devido rupturas total ou parcial.

Quais os sintomas?

O quadro clínico típico das lesões por impacto é de incapacidade funcional do membro superior para as atividades realizadas acima da cabeça. A incapacidade de elevar ativamente o membro superior contra a gravidade pode indicar lesão extensa aos tendões do manguito rotador, sobretudo do músculo supra-espinal.

Um paciente portador da Síndrome do Imapacto geralmente sente dificuldade para pentear-se, vestir-se, estender roupas, fazer alguns exercícios físicos, tudo decorrente da dor no ombro.

Qual o tratamento?

Para iniciar o tratamento, é preciso saber a causa da disfunção e as alterações fisiológicas que ela causa, podendo ser preciso apenas o tratamento conservador até intervenção cirúrgica. A fisioterapia pode ser uma grande aliada, proporcionando alívio das condições sintomatológicas e etiológicas e estabelecendo a função normal do complexo articular do ombro.



Alguns tratamentos:

·         Uso de antiinflamatórios não esteróides;

·         fisioterapia com crioterapia, tens, ultras-som; ondas curtas e exercícios; infiltração com corticoesteróides;

·         cirurgia;

Para iniciar o tratamento, é preciso saber a causa da disfunção e as alterações fisiológicas que ela causa, podendo ser preciso apenas o tratamento conservador até intervenção cirúrgica. A fisioterapia pode ser uma grande aliada, proporcionando alívio das condições sintomatológicas e etiológicas e estabelecendo a função normal do complexo articular do ombro.

É preciso ter cuidado com exercícios na academia também e a sobrecarga dessa área. Como é uma articulação muito solicitada para os exercícios de membros superiores e o conjunto de músculos que compõem o manguito rotador também, é preciso ter cuidado com o equilíbrio na hora da prescrição de exercícios.

Procure um profissional devidamente habilitado e competente para fazer a prescrição do seu programa de treino.

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Postado por: Odiléia Corrêa






terça-feira, 22 de novembro de 2011

CAUSAS PROVÁVEIS DAS LESÕES POR CORRIDA DE RUA


Correr é uma maneira eficaz de exercitar grandes grupos musculares, onde motivados pelo baixo custo da prática esportiva e da melhora da saúde e qualidade de vida, o número de corredores no Brasil vem crescendo, tornando-se atualmente um dos esportes mais praticados no país. Segundo dados da Rede Bahia de Televisão em 2005, pelo menos 100 corridas de ruas já eram organizadas por ano no Brasil. Tal dado reflete o crescimento do número de inscritos nestes eventos. Para se ter uma idéia, em 2003, o Troféu Cidade de São Paulo reuniu 6.200 competidores, enquanto que, no ano seguinte, esse número subiu para 9.000 inscritos (um crescimento de 50%). Recentemente a meia maratona de Natal reuniu 6.000 inscritos entre profissionais e amadores.
No entanto, é uma atividade que pode causar danos, principalmente por tensão repetitiva nas extremidades inferiores. Pois, a força de reação do solo quando os pés estão na posição intermediária durante a corrida é equivalente a uma forca vertical de 1,5 a 5 vezes ao peso do corpo. Considerando essas cargas nos tecidos, fica claro que pequenas alterações biomecânicas poderão resultar em concentrações significativas de tensão e carga.
As causas das lesões por corrida são multifatoriais sendo relacionados a fatores extrínsecos e intrínsecos.
Dentre os extrínsecos, dos quais correspondem a 60% a 80% das lesões temos:

Erros de treinamentos
·         Principalmente mudanças repentinas na intensidade ou distância nas corridas;
·         treinamento contínuo de alta intensidade, sem dias de treinamento mais leve ou repouso;
·         sessões isoladas de competição;
·          treinamento repetitivo em subidas.

Terreno de Corrida
·         Realizar treinamentos em descidas aumenta o risco de lesões no joelho, do aparelho extensor, das forças patelo femorais, absorção de impacto e extensores de joelho.
·         Enquanto o excesso nas subidas pode levar a fascíte plantar e lesões no tendão de calcâneo.

Calçados para corrida
- A escolha inadequada do calçado pode favorecer desgaste em uma determinada estrutura anatômica. O ideal é a compra de calçado de acordo com a pisada do atleta (pronada, supinada ou plana) e do tipo de corrida o qual irá realizar.

Já dentre os fatores intrínsecos temos:

Básicos
·         idade,sexo,peso,altura.

Fatores primários
·         Alinhamento dos ossos, o que vai estar relacionado ao tipo de pé, posição dos joelhos, quadril, pelve e que pode favorecer a combinações de diferentes desalinhamentos. Além disso, pessoas que correm em pistas inclinadas podem levar a uma discrepância de membros adquirida, o que pode resultar em um inclinação pélvica, escoliose lombar, maior abdução das pernas, podendo estar relacionada a rotações externas e aumento do valgo no joelho.
·         Condição muscular, onde salvo raríssimas exceções uma boa flexibilidade previne lesões, principalmente dos posteriores da coxa e da panturrilha, que por si só em atletas de corrida já apresentam encurtamentos.
·         Força, pois fraquezas musculares podem levar a fraturas por estresse (uso repetitivo), nunca pensem que corredores devem apenas se preocupar em melhorar seu tempo e condicionamento aeróbico, exercícios de fortalecimento muscular são essenciais para prevenção de lesão e melhora no desempenho, pois menos tempo será necessário para recuperação e menores serão as lesões associadas ao esporte.
·         Coordenação neuromuscular, quando qualquer deficiência proprioceptiva (coordenação e equilíbrio) predispõe a mais lesões, neste ponto treinamentos funcionais são importantes para uma melhor coordenação na prática de corrida de rua.
·         Falta de tonicidade dos ligamentos predispõe a pronação excessiva o que aumenta o risco de lesões.

Fatores secundários
·         lesões anteriores e recorrentes.

Bibliografia
PETERSOn, Lars; Renstron, Per. Lesões do esporte – prevenção e tratamento. 3 ed.
Postado por: Renata Alencar

terça-feira, 18 de outubro de 2011

SINDROME FEMOROPATELAR ou “DOR NA FRENTE DO JOELHO”



A síndrome femoropatelar, também conhecida como dor anterior de joelho começou a ser descrita com maior ênfase literária a partir da década de 60, tendo como manifestações clínicas mais comuns a dor e instabilidade da articulação patelo-femoral.
A etiologia da instabilidade da articulação femoropatelar ainda não é totalmente conhecida, mas fatores como: desequilíbrio da musculatura de vasto lateral e vasto medial, desalinhamento patelar, condromalácia patelar, tendinite patelar, sobrecarga por tracionamento excessivo e tendão patelar, subluxação ou luxação patelar, patela alta, ângulo Q aumentado, entorse de tornozelo por inversão contribuem nessa instabilidade (GREVE & AMATUZZI, 1999; ANDREWS, 2000; GOMES et al., 1996, ROSA FILHO et al., 2002).
Os sintomas mais freqüentes são dor anterior no joelho, edema, bloqueio e crepitação articular femoropatelar. Ocorre geralmente nos dois lados com períodos de exarcebação como ao permanecer muito tempo sentado com o joelho fletido (dobrado, principalmente embaixo da cadeira), levantar-se da posição sentada, subir e descer degraus ou superfícies inclinadas, corrida, treinamento com peso (agachamento) e ajoelhar.
O diagnóstico da instabilidade patelo-femoral se deve à realização de testes principalmente com intuito de afastar outras possíveis lesões. A confirmação dos resultados obtidos, pode ser confirmado por exames complementares como raio-X em AP e perfil, ressonância magnética nuclear (GANN, 2005; GOULD III, 1993).
O tratamento preconizado é o conservador, visando alongar as musculaturas que estão encurtadas e fortalecer os músculos que estão alongados e hipotrofiados (diminuição da força).
Tais fortalecimentos podem ser em cadeia fechada (CCF) e cadeia aberta (CCA), Stiene et al. concluíram que, após oito semanas de tratamento, exercícios em CCF foram mais eficazes do que exercícios em CCA na recuperação funcional de sujeitos com disfunção femoropatelar
         As atividades de fortalecimento em cadeia aberta são mais seguras de 90° a 50° porque acima desse valor o contato femoropatelar é muito excessivo (GREVE E AMATUZZI, 1999; ROSA FILHO, 2002).
No entanto, antes da prescrição de atividades para fortalecimento é necessário compreender os princípios biomecânicos da articulação femoropatelar para programação de exercícios que combinem efetividade e segurança.


BIBLIOGRAFIA
Cabral CM, Monteiro-Pedro V. Recuperação funcional de indivíduos com disfunção femoropatelar por meio de exercícios em cadeia cinética fechada: revisão da literatura. Rev Bras Fisioter 2003;7:1-8.
Nissen CW, Cullen MC, Hewett TE, Noyes FR. Physical and arthroscopic examination techniques of the patellofemoral joint. J Orthop Sports Phys Ther 1998; 28:277-85.
Hung Y, Gross MT. Effect of foot position on electromyographic activity of the vastus medialis oblique and vastus lateralis during lower-extremity weight-bearing activities. J Orthop Sports Phys Ther 1999;29:93-102.
ANDREWS, J. R.; HARRELSON, G. L.; WILK, K. E. Reabilitação Física das Lesões Desportivas. 2ª Ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000, cap. 10, p. 191.
CABRAL, C. M. N.; MELIM, A. M. O.; SACCO, I. C. N.; MARQUES, A. P. Fisioterapia em Pacientes com Síndrome Fêmoro-Patelar: Comparação de Exercícios em Cadeia Cinética Aberta e Fechada. Revista ACTA Ortopedia Brasileira, vol. 16, n° 3, p. 180, 2008.
GREVE, J. M. D.; AMATUZZI, M. M. Medicina de Reabilitação Aplicada à Ortopedia e Traumatologia. 1ª Ed. Roca: São Paulo, 1999, cap. 9, p. 235.
ROSA FILHO, B. J. et al. Instabilidade Femoro-Patelar, 2002. Disponível em:
<http://www.wgate.com.br/conteudo/medicinaesaude/fisioterapia/traumato/femoro_patelar.htm>. Acesso em: 06 nov. 2008.
Steinkamp LA, Dillingham MF, Markel MD, Hill JA, Kaufman KR. Biomechanical considerations in patellofemoral joint rehabilitation. Am J Sports Med 1993;21: 438-44.

Postado por: Renata Alencar

terça-feira, 20 de setembro de 2011

A FIBROMIALGIA NA QUALIDADE DE VIDA E FORÇA MUSCULAR DOS PACIENTES



A fibromialgia (FM) é uma síndrome reumática crônica não-inflamatória, de causa desconhecida, que acomete preferentemente mulheres, entre 30 e 60 anos, caracterizada pela presença de dor musculoesquelética difusa e dos chamados tender points.
O American College of Rheumatology (ACR)4 em 1990 definiu os critérios de classificação da FM, e estes foram validados para a população brasileira em 1999 por Atallah-Haun et al3. Esses critérios são: dor generalizada em pelo menos três dos quatro quadrantes corporais nos últimos 3 meses e dor localizada à palpação em pelo menos 11 dos 18 tender points, que são locais dolorosos preestabelecidos.
A dor, juntamente com outras características, como distúrbio do sono e fadiga (cansaço)-, contribuem para a piora da aptidão cardiorrespiratória, do estado geral de saúde e da qualidade de vida dos pacientes1.
O tratamento consiste principalmente no alívio dos sintomas. Analgésicos, antidepressivos, exercícios e educação do paciente são amplamente empregados.
Entretanto, essas medidas, quando aplicadas isoladamente, não conseguem melhorar significantemente a qualidade de vida dos pacientes, o que realça a necessidade de terapias mais intensivas e globais que possam favorecer a melhora do desempenho dos pacientes.
Além disso, tem-se reconhecido que pacientes com FM têm redução considerável da força e desempenho muscular se comparados com sujeitos sem a doença. Mannerkorpi et al1. , encontraram em um terço das mulheres diagnosticadas com FM, falta de força muscular ou flexibilidade em membros superiores para realização de atividades diárias simples como alcançar prateleiras altas ou lavar seus cabelos.
Sabendo-se que a força muscular é um importante componente da aptidão física relacionada à saúde, além de exercer papel relevante para o desempenho físico em inúmeras atividades de vida diária e/ou esportivas.
Torna-se necessário um acompanhamento mais global e único dos pacientes com fibromialgia, onde os mesmos seriam assistido (orientados), por um fisioterapeuta, médico, psicólogo,nutricionista,educador físico, todos estes profissionais  no intuito de melhor atender às demandas de saúde do paciente com FM.
Pois, apenas com um tratamento multiprofissional é que o paciente conseguiria melhorar a qualidade de vida em relação a saúde.


Postado por: Renata Alencar


Referências bibliográficas:

1. Mannerkorpi K, Burckhardt CS, Bjelle A. Physical performance characteristics of women with fi bromyalgia. Arthritis Care Res 1994; 7(3):123-29.

2. Martinez JE, Fujisawa RM, Carvalho TC, Gianini RJ. Correlação entre a contagem dos pontos dolorosos na fi bromialgia com a ntensidade dos sintomas e seu impacto na qualidade de vida. Ver Bras Reumatol 2009; 49:32-8.